Planaltina, DF: a Cidade que já Existia Antes de Brasília ser Imaginada

Quando se fala em Distrito Federal, é fácil o pensamento ir direto para o Plano Piloto — os 66 anos de Brasília, os prédios de Niemeyer, a data de inauguração em 1960. Mas há uma região administrativa do DF que carrega uma história bem mais antiga, e que merece o mesmo peso editorial de qualquer roteiro pela capital: Planaltina.

Fundada em 19 de agosto de 1859, por meio de lei da Assembleia Provincial de Goiás, Planaltina nasceu com o nome de Vila Mestre D'Armas — uma homenagem a um armeiro que viveu na região. Só em 1917 o povoado recebeu oficialmente o nome que conhecemos hoje. Em 2026, a cidade soma 167 anos de fundação: mais de um século antes de Brasília sequer ser cogitada como capital federal, o que faz de Planaltina, com folga, a região administrativa mais antiga do DF.

E o vínculo entre as duas histórias vai além da coincidência geográfica. É em Planaltina que está a Pedra Fundamental, monumento erguido em 7 de setembro de 1922 para marcar o ponto de referência que, décadas depois, ajudaria a definir a localização da futura capital federal. Ou seja: antes de qualquer prancheta de Lúcio Costa, já havia em Planaltina uma marca de pedra apontando para o que viria a ser Brasília.

O centro histórico da cidade conserva casarões centenários e igrejas antigas, um contraste e tanto com a arquitetura modernista que costuma definir visualmente o DF nos cartões-postais. Mas o calendário cultural de Planaltina tem um evento que ultrapassa em muito a escala de uma cidade do interior: a Via Sacra do Morro da Capelinha, encenação ao ar livre realizada na Semana Santa, que já reuniu até 150 mil pessoas em uma única edição — um dos maiores espetáculos religiosos ao ar livre do Brasil. A região também é sede do Vale do Amanhecer, comunidade espiritual sincrética fundada em 1959, que atrai visitantes e adeptos de todo o país e se tornou, por si só, um ponto de peregrinação e curiosidade turística.

Contar Planaltina com a mesma profundidade que se conta o Eixo Monumental não é só uma questão de justiça histórica — é reconhecer que a identidade do Distrito Federal começou a ser escrita muito antes de 1960, e que boa parte dessa história ainda está de pé, a poucos quilômetros do Plano Piloto.


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