Cerrado em Flor: os Ipês Amarelos Tomam a Chapada dos Veadeiros

Se tem uma imagem que resume o cerrado no fim do período seco, é essa: o chão ressecado, a vegetação rasteira em tons de marrom e ouro velho — e, no meio disso tudo, as copas dos ipês-amarelos explodindo em flor, como se o bioma guardasse sua cor mais viva justamente para o momento mais árido do ano. Entre julho e setembro é quando essas árvores florescem na Chapada dos Veadeiros, e setembro costuma marcar um dos picos dessa floração, com o amarelo tomando conta de estradas, mirantes e trilhas de Alto Paraíso e São Jorge.

A época tem lá suas particularidades. O calor durante o dia passa dos 30°C com facilidade, as noites esfriam bastante e o ar seco exige atenção redobrada com a hidratação em qualquer caminhada. É também o momento em que o risco de incêndio no cerrado se intensifica, algo que quem visita a região — e quem mora nela — precisa levar a sério. Por outro lado, é justamente a seca que deixa as trilhas mais acessíveis, sem lama, e as águas das cachoeiras com uma transparência difícil de ver em outras épocas do ano.

Entre os destinos mais procurados nesse período estão o Vale da Lua, com suas formações rochosas esculpidas pelo Rio São Miguel se destacando ainda mais contra a vegetação seca, e a Cachoeira Santa Bárbara, de águas turquesa. Dentro do Parque Nacional, a Trilha dos Saltos leva a duas quedas d'água de 80 e 120 metros, enquanto o Mirante da Janela oferece uma das vistas panorâmicas mais completas da chapada. Já a Cachoeira do Segredo, com queda de 100 metros, pede uma caminhada de cerca de 4 km ida e volta — recompensada por um poço ainda pouco concorrido.

Vale um adendo para quem pensa em fechar a viagem no calendário: setembro tende a receber menos turistas do que julho e agosto, período de férias escolares, o que significa trilhas mais tranquilas e fotos sem fila de gente. As primeiras chuvas da transição para a estação chuvosa costumam começar a aparecer entre setembro e outubro, então essa janela final da seca é, para muitos guias locais, o momento mais fotogênico do ano na região — quando o cerrado prova que "seco" não é sinônimo de sem vida.


Alô Centro Oeste