Pirenópolis, Alto Paraíso, Cavalcante e outras joias do interior de Goiás atraem cada vez mais quem quer trocar o eixo das capitais por natureza, cultura e autenticidade.
O interior como destino — não como
escala
Por muito tempo, o interior de Goiás foi visto pelos próprios
brasileiros como passagem, não como destino. Uma parada no caminho para a
Chapada dos Veadeiros ou uma visita rápida às cidades históricas antes de
voltar para Goiânia ou Brasília. Esse olhar está mudando — e mudando rápido.
Nos últimos anos, especialmente após a pandemia, cresceu
significativamente o número de viajantes que buscam destinos menos
massificados, mais conectados com a natureza e com a cultura local. O interior
de Goiás, com sua diversidade de paisagens e a hospitalidade típica do
Centro-Oeste, passou a figurar em roteiros que antes mal mencionavam a região.
Pirenópolis: a cidade que não
precisa de rodeios
A 150 quilômetros de Brasília e a 120 de Goiânia, Pirenópolis é, sem
dúvida, o destino turístico mais consolidado do estado. Tombada pelo patrimônio
histórico, a cidade colonial abriga igrejas do século XVIII, ruas de
paralelepípedo, uma cena gastronômica surpreendentemente sofisticada e um
calendário de eventos que inclui as Cavalhadas — festa de origem portuguesa que
acontece em maio e é Patrimônio Imaterial do Brasil.
Além do centro histórico, Pirenópolis é porta de entrada para cachoeiras
e piscinas naturais que ficam a poucos quilômetros da cidade. O Rio das Almas e
seus afluentes oferecem trilhas e banhos em meio à mata ciliar. A cidade tem
hoje uma rede de pousadas, restaurantes e guias locais que atendem bem ao
turista mais exigente — sem perder o charme provinciano que a torna especial.
Alto Paraíso e Cavalcante:
natureza sem filtro
Quem busca imersão na natureza encontra em Alto Paraíso de Goiás e em
Cavalcante destinos de rara beleza. Alto Paraíso é o município que abriga a
entrada principal do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros — com suas
cachoeiras monumentais, campos rupestres e céus límpidos que atraem
astrofotógrafos do mundo inteiro.
Cavalcante, a cerca de 80 quilômetros de Alto Paraíso, é um dos poucos
municípios do Brasil onde comunidades quilombolas vivem em territórios
legalmente reconhecidos dentro de um parque nacional. O turismo comunitário
desenvolvido pelo povo Kalunga oferece uma experiência única: trilhas guiadas
por moradores, culinária tradicional e cachoeiras que figuram entre as mais
belas do Brasil — e que permanecem praticamente desconhecidas do grande
público.
Abril é um bom mês para visitar a região. O final das chuvas garante
cachoeiras cheias, enquanto as trilhas já começam a ficar mais acessíveis com a
diminuição da lama. A temperatura é amena e os dias são longos — perfeitos para
quem quer aproveitar cada hora na natureza.
O que está impulsionando esse
movimento
Algumas forças se combinam para explicar o crescimento do turismo de
interior em Goiás. A melhoria das estradas — embora ainda haja muito a avançar
— reduziu o tempo de deslocamento de Brasília e Goiânia para esses destinos. As
redes sociais jogaram luz sobre paisagens que antes circulavam apenas entre
iniciados. E uma nova geração de empreendedores locais apostou na valorização
da cultura e da gastronomia regional, criando produtos e experiências com
identidade.
O turismo de interior goiano ainda tem muito potencial inexplorado.
Cidades como Corumbá de Goiás, Abadiânia, Niquelândia e Minaçu guardam
histórias, natureza e sabores que poucos conhecem. Para quem mora no
Centro-Oeste — ou planeja visitar a região —, a lição é simples: às vezes, o
melhor destino está mais perto do que parece.
Alô Centro Oeste