O Cerrado é muito mais do que o pano de fundo natural do Centro-Oeste: ele é a base que sustenta o clima, a paisagem e o modo de vida da região. Presente de forma marcante no Distrito Federal e em estados vizinhos, o bioma influencia diretamente as estações bem definidas, os longos períodos de seca e as chuvas intensas que marcam o calendário local. Não por acaso, ele é conhecido como o “berço das águas”, já que abriga nascentes que alimentam algumas das principais bacias hidrográficas do país.
Em Brasília, o Cerrado se faz presente mesmo em meio ao concreto. Áreas preservadas como o Parque Nacional de Brasília, o Jardim Botânico e diversos parques urbanos mantêm viva a vegetação típica, com árvores de troncos retorcidos, raízes profundas e uma resistência admirável às condições climáticas extremas. Essa adaptação natural ajuda a regular a temperatura, melhorar a qualidade do ar e garantir a infiltração da água no solo — funções essenciais para o equilíbrio ambiental da região.
A cultura do Centro-Oeste também carrega a marca do Cerrado. Frutos como pequi, baru, cagaita, araticum e jatobá atravessaram gerações e se tornaram símbolos de identidade regional. Esses ingredientes, antes associados à subsistência e ao saber popular, hoje ganham espaço na gastronomia contemporânea, sendo reinterpretados por cozinheiros e chefs que valorizam os sabores locais. O Cerrado, assim, vai da terra ao prato, conectando tradição, memória e inovação.
Mais do que um bioma, o Cerrado é um modo de vida. Ele ensina sobre resistência, adaptação e ciclos naturais — lições visíveis no comportamento da vegetação, dos animais e das comunidades que convivem com ele. Valorizar o Cerrado é reconhecer que o clima, a cultura e os sabores do Centro-Oeste nascem dessa relação profunda com a natureza. E compreender sua importância é um passo fundamental para preservar não apenas o bioma, mas a identidade de toda a região.
Alô Centro Oeste
