A gastronomia de Brasília não nasceu pronta — ela foi sendo construída ao longo do tempo, assim como a própria cidade. Desde a inauguração da capital, pessoas de todas as regiões do país chegaram ao Planalto Central trazendo receitas, temperos e modos de cozinhar. O resultado desse encontro é uma culinária diversa, sem um único rótulo, mas rica em influências e marcada pela mistura de tradições que se adaptaram ao cotidiano brasiliense.
Nos restaurantes, feiras e mercados da cidade, essa diversidade se revela no cardápio. Pratos nordestinos convivem com receitas mineiras, sabores goianos, influências do Norte e da culinária contemporânea. Do empadão goiano ao baião de dois, do pão de queijo às receitas autorais, Brasília se transformou em um grande mosaico gastronômico. Cada região administrativa acabou criando seus próprios pontos de referência, onde a comida se mistura à memória afetiva dos moradores.
Nos últimos anos, ingredientes do Cerrado passaram a ocupar um lugar central nessa construção gastronômica. Frutos como pequi, baru, cagaita, araticum e jatobá, antes associados principalmente ao interior, ganharam espaço em cozinhas criativas da capital. Chefs e cozinheiros locais passaram a valorizar esses ingredientes nativos, unindo técnicas modernas ao respeito pelo território e ajudando a consolidar uma culinária conectada ao bioma do Centro-Oeste.
Mais do que alimentar, a comida em Brasília cumpre um papel social. Feiras livres, festivais gastronômicos, restaurantes de bairro e pequenos cafés se tornaram pontos de encontro, conversa e convivência. É à mesa que sotaques se cruzam, histórias se compartilham e a identidade da cidade continua sendo moldada. Assim, Brasília mostra que sua maior riqueza não está apenas nos monumentos, mas também nos sabores que contam a história de quem ajudou a construir a capital.
Alô Centro Oeste
