Cerrado Noturno: Os Animais que Ganham Vida Quando o Sol se Põe

Quando a noite cai sobre o Cerrado, o bioma muda completamente de atmosfera. O que parecia silencioso durante o dia ganha sons, movimentos e luzes sutis que revelam um mundo vibrante e cheio de mistérios.

O Cerrado noturno é um espetáculo natural que poucos conhecem — mas que guarda alguns dos animais mais fascinantes do Brasil.

Da capital Brasília ao interior do Centro-Oeste, inúmeras espécies saem em busca de alimento, proteção ou parceiros, mostrando um lado selvagem e silencioso que só quem observa com calma consegue perceber.

A seguir, conheça alguns dos habitantes dessa “cidade invisível” que só desperta quando o sol se esconde.

🐺 Lobo-guará: o guardião elegante da noite

Símbolo do Cerrado, o lobo-guará é um dos animais mais ativos no período noturno.
Com suas pernas longas e pelagem alaranjada, ele percorre grandes distâncias em busca de frutas, insetos e pequenos vertebrados.

Apesar da aparência imponente, é um animal tímido e solitário — por isso, avistá-lo é considerado um privilégio.
No DF, ele pode ser encontrado em áreas do Parque Nacional de Brasília, APA de Cafuringa e regiões rurais próximas.

🦉 Corujas do Cerrado: sentinelas silenciosas

Várias espécies de corujas habitam o Centro-Oeste, mas duas são as mais comuns:

  • Coruja-buraqueira: vive em tocas no chão e costuma ser vista ao entardecer.
  • Coruja-orelhuda: ativa à noite, tem olhos grandes e um canto grave inconfundível.

Elas são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema, controlando populações de insetos e pequenos roedores.

🦨 Cangambá (gambá-de-cheiro): o visitante curioso

Muita gente nem sabe que o Cerrado abriga cangambás semelhantes aos famosos “skunks” norte-americanos.
À noite, eles vasculham troncos caídos e cupinzeiros atrás de insetos e frutos.

Apesar da má fama por causa do odor de defesa, são animais tranquilos e importantíssimos para a dispersão de sementes.

🐜 Cupins e insetos bioluminescentes: um show de luzes naturais

Durante a noite, as colônias de cupins tornam-se muito ativas, servindo de alimento para tamanduás e pequenos carnívoros.
Além deles, é possível observar:

  • Vagalumes, que iluminam o cerrado ralo
  • Insetos fluorescentes em troncos de árvores
  • Mariposas coloridas, atraídas pela lua e pelo ciclo natural de umidade

É um microcosmo luminoso que transforma a paisagem.

🐆 Gato-do-mato: o caçador discreto

Esse pequeno felino, muito ágil e silencioso, é um dos animais mais furtivos do Cerrado.
Quase sempre ativo à noite, vive escondido entre vegetações densas, alimentando-se de roedores, aves e répteis.

Por ser extremamente discreto, observar um é como encontrar um tesouro raro da natureza.

🐜 Tamanduá-bandeira e tamanduá-mirim: patrulheiros da madrugada

Esses dois animais icônicos preferem horários mais frescos, principalmente finais de tarde e noite.
Com seu focinho comprido e língua pegajosa, eles exploram cupinzeiros e formigueiros com eficiência impressionante.

O tamanduá-bandeira, por ser maior, costuma se mover lentamente, o que o torna relativamente fácil de avistar durante safáris noturnos autorizados.

🌿 Onde observar a fauna noturna com segurança no DF e região

✔ Parque Nacional de Brasília
✔ APA da Cafuringa
✔ Reserva do IBAMA (áreas visitáveis em eventos guiados)
✔ Chapada dos Veadeiros (GO)
✔ Áreas rurais em Brazlândia, Planaltina e Alto Paraíso

Sempre com guias credenciados e seguindo regras de preservação.

🌎 Por que o Cerrado noturno é tão especial?

Porque revela:

  • comportamentos invisíveis durante o dia
  • sons únicos, como pios, estalos e cantos discretos
  • interações entre espécies pouco registradas
  • a verdadeira força do bioma — resiliente, diverso e surpreendente

Explorar a fauna noturna é uma forma de compreender a complexidade do Cerrado e reforçar a importância de sua preservação.

Preservação: o alerta que não pode faltar

A maior parte desses animais está ameaçada pela perda de habitat, queimadas e atropelamentos.
Quanto mais conhecemos o Cerrado, mais entendemos que ele precisa — urgentemente — ser protegido.


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