Em meio ao concreto e à modernidade de Brasília, um elemento arquitetônico parece se destacar por sua simplicidade e funcionalidade: o cobogó. Essa invenção única e presente em diversos cantos da cidade é mais do que uma solução prática para a arquitetura; ela carrega consigo uma história que remonta à década de 1930 e se entrelaça com o desenvolvimento da capital brasileira.
O Que é o Cobogó?
O cobogó é um tipo de revestimento vazado, tradicionalmente feito de concreto, que pode ser utilizado tanto em paredes externas quanto internas. Sua principal característica é a forma geométrica que permite a passagem de luz e ventilação, ao mesmo tempo em que oferece privacidade e proteção contra o calor. Além disso, o cobogó proporciona um efeito estético marcante, com sua repetição regular de formas, que variam entre os mais diversos padrões — de círculos e quadrados a formas mais abstratas.
A Origem do Nome e a Invenção
Embora o cobogó tenha se popularizado principalmente em Brasília, sua origem é mais antiga e remonta ao início do século XX, na cidade de Recife. A invenção é atribuída aos arquitetos Amílcar de Castro, Zelita e Afonso Costa, e o engenheiro José Costa, que eram profissionais envolvidos no desenvolvimento de novas técnicas construtivas para a época. A ideia surgiu como uma resposta às necessidades de ventilação e sombreamento dos edifícios no clima quente e úmido do Nordeste brasileiro.
O nome "cobogó" é uma junção das iniciais de seus inventores: CO de Costa, BO de Borgue (sobrenome de outro colaborador), e GÓ de Gonçalves (sobrenome de outro dos inventores). A criação foi um grande avanço para a arquitetura, já que o material permitia a construção de paredes mais leves e a solução para o calor tropical sem perder a estética de uma cidade moderna.
O Cobogó em Brasília
Brasília, projetada por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, foi uma das cidades que mais se apropriou do cobogó como elemento simbólico de sua arquitetura. A cidade, construída na década de 1960, seguiu os princípios de modernismo que envolviam a integração entre forma e funcionalidade. A utilização do cobogó foi uma solução inteligente para as altas temperaturas do cerrado, ao mesmo tempo em que conferia à capital uma identidade única e marcante.
Em Brasília, os cobogós passaram a ser utilizados não apenas em fachadas de prédios, mas também em casas e edifícios públicos, criando uma sensação de continuidade visual e conexão com o ambiente. A peça arquitetônica foi amplamente explorada nos prédios públicos e nas casas modernistas, sendo um elemento-chave no trabalho de Niemeyer, especialmente no Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente da República, e no Congresso Nacional.
O uso do cobogó em Brasília reflete a busca pela conciliação entre modernidade e conforto ambiental. A cidade planejada por Lúcio Costa também foi pensada para ser funcional e adaptada ao clima, e o cobogó foi um dos recursos essenciais para essa adaptação, equilibrando as necessidades de ventilação com a estética inovadora que caracteriza o design de Brasília.
Cobogó: Sustentabilidade e Relevância Atual
Hoje, o cobogó continua a ser um elemento bastante valorizado não só pela sua eficiência funcional, mas também pela sua contribuição ao conceito de sustentabilidade. Em um momento em que a arquitetura busca integrar as construções aos contextos ambientais e climáticos, o cobogó ressurge como uma solução eficiente, pois permite ventilação natural e reduz a necessidade de ar condicionado, o que consequentemente gera uma economia de energia.
Além disso, o cobogó, com suas formas orgânicas, tem sido reinterpretado por arquitetos contemporâneos, que aproveitam sua versatilidade e sua capacidade de conferir uma estética atemporal aos projetos. Alguns materiais mais modernos, como vidro, cerâmica e até madeira, têm sido utilizados para criar cobogós com novos acabamentos, mas sempre preservando a essência do design original.
O cobogó, elemento tipicamente brasileiro, carrega consigo uma grande carga histórica e simbólica. Em Brasília, ele é mais do que uma simples peça de concreto: ele é uma representação da inovação arquitetônica brasileira e uma marca da modernidade que transformou a cidade na capital do país. Nos dias atuais, o cobogó se mantém relevante, tanto como uma referência de estilo quanto como uma solução ecológica e funcional para o mundo contemporâneo. O simples e eficiente cobogó, assim, segue imortalizado nas paredes e nos espaços da cidade, perpetuando sua importância para a arquitetura brasileira.
Alô Centro Oeste